Mundo: Relatório da Unicef sugere que pornografia nem sempre é prejudicial para crianças

ONU Crianças

Relatório publicado em abril deste ano pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) sugere que não existem evidências conclusivas de que a pornografia é prejudicial para crianças. O documento aborda o uso das políticas governamentais para proteger as crianças de conteúdo nocivo, abusivo e violento na internet.

A conclusão é baseada em um estudo europeu envolvendo 19 países da União Europeia e aponta que, na maioria deles, as crianças que viram imagens pornográficas não ficaram “nem incomodadas nem felizes”. O relatório chega a afirmar que 39% das crianças espanholas ficaram “felizes” depois de ver pornografia. As informações foram publicadas no site da Center For Family and Human Rights.

Para Lisa Thompson, vice-presidente e diretora do Instituto de Pesquisa do Centro Nacional de Exploração Sexual, o relatório ignora o vasto corpo de pesquisa que demonstra os danos reais da pornografia para crianças e que, ao ignorar esses danos, a Unicef está brincando com a saúde e segurança das crianças.

“A pornografia convencional contém abusos sexuais horríveis – estupro, incesto, racismo – coisas que as crianças não deveriam consumir. A avaliação da Unicef sobre os impactos da pornografia pesada nas crianças não faz nada para desafiar a narrativa política de que a pornografia é benigna, e, como resultado, coloca as crianças em perigo”, disse.

O assunto foi comentado no Boletim da Manhã desta quarta-feira (2). Em entrevista ao programa, o professor Robson Oliveira, colunista da Revista Terça Livre, alertou para os males da pornografia e disse que o contato com esse conteúdo é cada vez mais precoce entre as crianças. “O primeiro contato com pornografia no mundo hoje é, em média, com oito anos. E não é que a criança procure o link. Mas ela chega a esse conteúdo com oito anos. Com 17 anos, mais de 70% das crianças já tiveram acesso à pornografia ‘hard’”, disse.

“Afirmar que a pornografia não é prejudicial às crianças certamente é uma conclusão que nenhum estudo sociológico pode afirmar. De um fato não se pode aduzir um valor. Agora, nós sabemos que no círculo social da pornografia estão envolvidos o sequestro de crianças, o tráfico de pessoas e de drogas e a instrumentalização de mulheres”, acrescentou.

Matéria de Bruna de PieriTerça Livre

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